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Ele não é ligado a nenhuma das correntes do Partido dos Trabalhadores e disputa a presidência da legenda pela primeira vez. Talvez isso- e a bandeira da ética e transparência, tão cobrada da direção - explique o crescimento da candidatura do deputado federal José Eduardo Cardozo. Disputa com os colegas de plenário Ricardo, o atual titular da cadeira, e Jilmar Tatto, Em comum, a hegemonia dos paulistas no comando do partido que possui mais de 900 mil filiados. Mas as semelhanças param por aí. Cardozo surge com o apoio de nomes do alto escalão do governo. Como o ministro da justiça, Tarso Genro, e de governadores. Tatto tem ao seu lado a ministra do Turismo, Marta Suplicy. Berzoini, o aval do ex-todo-poderoso do governo, José Dirceu. "E eu estarei no segundo turno com Berzoini' - avalia Cardozo.
Nasceu em abril de 1959. É advogado, professor e Procurador do município de São Paulo. Um dos fundadores do PT tornou-se secretario de governo da gestão de Luiza Erundina à frente da capital paulista. Elegeu-se vereador e cumpriu três mandatos consecutivos. Foi eleito deputado federal em 2003 e atua no segundo mandato.
O que motivou o senhor a se candidatar foi uma decisão de grupo?
- Foi. Inclusive eu não era candidato, não tinha essa pretensão. Mas um grupo que não atuava junto no PT resolveu disputar a candidatura. O arco de forças que apóia a nossa candidatura é de pessoas que nunca foram das mesmas tendências, dos mesmos agrupamentos do PT.
Eles têm votos ou são apenas lideranças?
- São lideranças, têm votos, têm peso, têm representatividade.
Mas o espaço está bem delimitado ali... O José Dirceu está com o Berzoini. O senhor acha que com esse grupo pode chegar ao segundo turno?
- Sem dúvida. Se a eleição fosse hoje nós estaríamos no 2 turno.
Então se o senhor conquistar apoio de mais alguém do alto escalão...
- Ainda tem os prefeitos do Recife, João Paulo; de Fortaleza, Luizianne Lins; de vitória João Coser; de Niterói, Godofredo Pinto; e o de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Todos me ligaram dizendo que me apoiariam.
Qual é a proposta da sua candidatura?
- Na verdade é um programa político que parte da avaliação de que temos que apoiar o governo Lula de forma decidida. Nós reconhecemos que faz uma transformação profunda na política brasileira Portanto cabe ao PT dar apoio e sustentação a este governo, e cada vez mais lutar para que suas políticas sejam ampliadas. Outro ponto é a questão da democracia interna no PT. Temos clareza que o modelo de direção atual está exaurido. Temos hoje, infelizmente, um pequeno grupo decidindo entre si o que o partido deve fazer ou não.
O senhor defende o governo Lula para obter apoio do presidente?
- Até agora eu vejo o presidente de maneira eqüidistante. Nada impede que ele possa apoiar a chapa.
O que deve ser corrigido no PT?
- A primeira coisa é a questão da democracia interna. Um grupo de pessoas decide pelo partido. Isso tem levado ao esvaziamento das nossas instâncias, um distanciamento imenso do militante. Hoje, no PT, quem não pensa como a direção é perseguido, é afastado da atuação partidária, é tido como inimigo. Isso não pode acontecer, temos que respeitar profundamente o direito da minoria e debater.
O PT mais de 10 corrente. O Senhor propõe uni-las?
- O presidente do partido pode ser presidente de uma corrente, tem que dialogar com todos, a sua principal atuação é buscar a hegemonia interna. Além disso, a questêo da democracia passa por transparência na questão das finanças;
Não há transparência?
- Não, não há. Os petistas têm que ter clareza das receitas que financiam o partido e do destino dessas receitas. Nós defendemos o orçamento participativo nos municípios, e nós mesmos, no nosso partido, não temos a transparência orçamentária que deixe claras as regras de financiamento e as regras de destino dos recursos.
O senhor defende o código de ética?
- Defendi ao lado do ministro Patrus Ananias, no encontro nacional ele foi aprovado. Da mesma forma que somos duros com os adversários, temos que ser mais duros ainda com os militantes, com os parlamentares. com os dirigentes.
O senhor defende punição para os mensaleiros?
- Seria muito ruim individualizar. Enquanto presidente do partido vamos defender punição a todos os transgressores da ética.
Qual foi o grande erro do PT de 2003 para cá?
- Primeiro, a questão da democracia interna. Segundo, a falta de clareza de que governo é governo e partido é partido. O governo tem o seu papel, é sustentado por várias forças políticas. No caso do governo Lula, o PT é uma dessas forças políticas. Isso mostra que o partido não tem que ser um braço do governo, nem o governo um braço do partido. O partido tem que propor políticas para o governo.
O Senhor acredita que pode haver paz entre as correntes?
O papel de presidente do PT não é o de gerenciar uma imposição de uma corrente sobre outra Mas é buscar a democracia interna e a harmonização. Evidente que quando o entendimento é possível ele deve ser buscado. Quando não o entendimento, que a maioria decida.
Qual deve ser o slogan do PT?
- A democracia e a ética republicana como ponto de atuação central do PT na construção do socialismo.
-Está em discussão O terceiro mandato de Lula. O senhor é a favor ou contra?
Contra no mérito e contra no momento em que foi colocada. Eu seria contrário a qualquer situação de rasuísmo, Acho que o PT tem condições de ter nomes que possam disputar a Presidência da República. Além de ser ruim no mérito, ela foi absolutamente inconveniente no momento em que foi colocada.
O senhor defende reeleição para cargos dentro do PT?
- Vamos separar as coisas. Acho que não há nenhum problema você ter a reeleição, desde que não se caracterize aquelas forças de continuísmo exagerado. Acho que uma reeleição estaria muito razoável, muito adequada ao plano da direção partidária.
Um ponto tocado no Congresso do PT foi um estudo sobre o poder unicameral. O senhor é a favor?
Essa é uma discussão que tem que ser muito aprofundada. O Senado tem dá o contrapeso a isso, porque tem os representantes dos Estados. Se você ficar só com a Câmara, acaba tendo a representação da população. O senado representa os Estados. Se
Você ficar só com a Câmara, acaba tendo a representação da população. O senado dá o contrapeso a isso, porque tem os representantes dos Estados.
Na medida em que você consegue o chamado equilíbrio federativo.
O presidente Lula falou em convocar uma Constituinte para determinados assuntos. Seria da reforma política?
- Acho muito difícil que essa reforma política saia nas atuais condições do congresso. Já há o poder ineral, que vale para todos os poderes. Dificilmente um poder se auto-reforma. Isso é da história das instituições e se coloca também no Congresso atual Seria necessário uma pressão social muito forte.
Leandro Mazzini
Jornal do Brasil - RJ - Pg. A14
11/11/2007 |